Entrevistas

 

Rosana Maria Pereira Borges

 

1 –  Comente por meio de um breve relato, como a Psicopedagogia passou a fazer parte de sua vida.

A Psicopedagogia entrou na minha vida no momento que meu filho mais velho foi diagnosticado como disléxico pela ABD. A dificuldade não era somente dele, mas minha também, pois não conseguia entendê-lo. Apesar da minha formação em Letras e de ter atuado como professora, eu não sabia como ajudá-lo nas tarefas escolares.

A primeira profissional, que iniciou o processo de intervenção com meu filho, foi uma fonoaudióloga com pós-graduação em Psicopedagogia e através dessa experiência e do testemunho dos avanços do meu filho, decidi fazer o curso de Psicopedagogia. Queria  entender o que são transtornos de aprendizagem e como diferenciar as dificuldades dos transtornos. Foi um ano e meio de novos saberes e descobertas. A cada aula sentia mais vontade em aprofundar os estudos, aprender mais e mais. Para maior aperfeiçoamento e segurança na minha atuação, busquei novos saberes nas supervisões,  em cursos na Central Didática, na Associação Brasileira de Dislexia ABD e no CBM – Centro Brasileiro de Modificabilidade. A cada novo aprendizado, o meu interesse pela Psicopedagogia aumentava. Sentia que os transtornos de aprendizagem demandavam mais horas de estudo e dedicação, pois são complexos, envolvem vários profissionais para se chegar a um diagnóstico preciso e uma intervenção adequada e eficiente. Por acreditar que o trabalho tem que ser multidisciplinar, aceitei o convite para atuar como psicopedagoga na Clínica Integrada de Saúde , onde atuo desde abril/2010.

 

2 – Em sua opinião, qual a função social da Psicopedagogia na clínica e na instituição?

Acredito que a função social da Psicopedagogia é o acolhimento e o resgate do aluno com dificuldade e/ou transtorno de aprendizagem. O psicopedagogo deverá buscar aprimoramento das suas práticas para auxiliar o desenvolvimento cognitivo e social do aprendiz. Portanto, a psicopedagogia tem como objetivo ser um agente um facilitador do processo de construção do conhecimento de forma preventiva e terapêutica, a fim de inserir o aluno na vida escolar e, consequentemente, melhorar sua autoestima e a sua relação com a família e a sociedade.

Cláudia Maria Laureano Moreno

Vinte e nove anos de experiência em sala de aula, em classes de Ensino Fundamental I, experiência em pós-graduação (Psicopedagogia), atua como psicopedagoga clínica há 6 anos e psicopedagoga institucional há 2 anos. Ministra aulas no curso de Pós-Graduação em Psicopedagogia – Unicsul Anália Franco e São Miguel. Atuou como coordenadora pedagógica por 6 anos. Palestrante com temas relacionados à Educação para pais e professores. Membro do Conselho Estadual da ABPp – seção São Paulo.

 

1 – Comente por meio de um breve relato, como a Psicopedagogia passou a fazer parte de sua vida.

A Psicopedagogia começou a fazer parte da minha vida desde que iniciei como educadora. Os desafios encontrados a cada ano me instigaram a conhecer sobre a Psicopedagogia, até que tive a oportunidade de realizar o curso.

Buscando este curso, me interessei pela clínica onde atuo há 5 anos e pela área institucional atuando há 2 anos  atuando em escola, contribuo no esclarecimento das dificuldades de aprendizagem,  que não têm como causa apenas deficiência do aluno.

 

1 – Em sua opinião, qual a função social da Psicopedagogia na clínica e na instituição?

Em minha opinião, a função social da Psicopedagogia Institucional é socializar os conhecimentos, promover o desenvolvimento cognitivo, ou seja; pela aprendizagem, o aluno é inserido de forma mais organizada no mundo que incorpora a sociedade. Pensando numa abordagem preventiva, o profissional necessita envolver-se: com a escola, pois grande parte da aprendizagem ocorre neste ambiente, com a relação com o professor,  com o conteúdo, com o grupo social e na busca de estratégias para abranger escola, família e a comunidade. Por isso, a educação deve ser vista como um processo de construção do conhecimento, cujos lados são formados por educador e aluno, além do conhecimento construído previamente.

Quanto à função social da Psicopedagogia Clínica, primeiramente é identificar a melhor forma de aprender do sujeito e o que pode estar causando o bloqueio.

A partir disso, ter um olhar e uma escuta peculiar sobre o sujeito oferecendo apoio e intervenção adequada, utilizando as técnicas apropriadas através do diagnóstico.

Silvia Amaral de Mello Pinto

Pedagoga com especialização em Psicopedagogia. Atuou por mais de 20 anos em escolas e está há 27 anos em clínica. É coordenadora e psicopedagoga na Elipse – Clínica Multidisciplinar. Foi Conselheira e membro da Diretoria da ABPp Nacional  de 1999 a 2013. Atualmente é Conselheira da ABPp Seção São Paulo e Assessora do Projeto Social.

1 – Comente por meio de um breve relato, como a Psicopedagogia passou a fazer parte de sua vida.

Trabalho desde 1968 na área da educação, sendo, aproximadamente, vinte anos desse tempo em escolas públicas e particulares do Rio de janeiro e São Paulo.

A Psicopedagogia passou a fazer parte da minha vida quando, em 1988, de volta a São Paulo, depois de oito anos fora da cidade, achando que estava precisando me atualizar, indaguei a pessoas próximas o que havia de bom por aqui e me indicaram fazer um curso de especialização em Psicopedagogia no Instituto Sedes Sapientiae.

Foi paixão à primeira vista, desde o estágio. Deixei a escola e passei a atender em consultório crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizagem, questão que me preocupava muito como professora.  Lembrando-me disso, posso dizer que a Psicopedagogia já fazia parte da minha vida desde os tempos de escola.

 

 

2 – Em sua opinião, qual a função social da Psicopedagogia na clínica e na instituição?

A Psicopedagogia tem importante função social. Ela promove o desenvolvimento da aprendizagem e com isso a inserção do sujeito na sociedade.

Na instituição, o psicopedagogo vai analisar o funcionamento desta, verificando fatores que favorecem ou não a aprendizagem e as relações interpessoais entre seus membros, estendendo a análise e a intervenção para além do aluno.  Assim, tem um caráter mais preventivo, procurando estimular projetos educacionais que sejam facilitadores da aquisição do conhecimento e do desenvolvimento social, afetivo e cognitivo dos alunos, envolvendo todos os integrantes desses projetos, bem como a instituição como um todo.

Na clínica, a intervenção é predominantemente com o sujeito, embora considere sempre diferentes fatores intervenientes, como família, escola e o meio em que vive esse aluno. Visa o resgate do processo de aprendizagem que se encontra prejudicado. Procura levar esse sujeito a reconhecer o seu potencial, acreditar em si mesmo, resgatando a autoconfiança e desenvolvendo a sua autonomia. Ao trabalhar esse processo, o psicopedagogo ajuda o sujeito a reencontrar o seu caminho, diminuindo o fracasso e a evasão escolar. A função social tornar-se-á mais clara ainda, quando tivermos a clínica psicopedagógica em órgãos públicos, aberta a toda população.

Ariane Zanelli de Souza

Pedagoga pela PUC/SP, com especialização em Logopedia  e fonoaudiologia pelo lnstituto de Ciencias del Hombre de Madrid e especialização em Psicanálise em Oncologia Pediátrica pela UNIFESP/SP, titular da ABPpiSP *Notório Saber. Atuação clínica desde 1990.

 

1 –  Comente por meio de um breve relato, como a Psicopedagogia passou a fazer parte de sua vida.

Não nasci professora, eu me fiz professora. Não nasci psicopedagoga, eu me fiz psicopedagoga. Mas neste singular, nos dois sentidos do termo, eu não me fiz só, eu não estive só. Foi uma obra composta. Explico.

Ao refletir sobre como a psicopedagogia passou a fazer parte da minha vida, eu escutei muitas vozes, mas a voz fundante, foi a daqueles alunos que não aprendiam como muitas vezes eu, sua família e até eles próprios esperavam e, portanto, muita gente sofria. Marcados muitas vezes como distraídos, imaturos, despreparados, pouco inteligentes, bagunceiros, desinteressados, preguiçosos… não rendiam e por que não rendiam, eu me perguntava? Por que não comem desse fruto que ofereço? Teria então eu que me render?

Foi provocada por eles que resolvi prestar mais atenção ao assunto da aprendizagem e foi junto com este movimento que eu ainda não sabia ao certo que obra resultaria, que descobri outras palavras. Descobri que afeto, curiosidade, convite, estratégias, construção, erro, pesquisas, diferenças, competências, autoestima, singularidade, psique, emoção, sujeito, PSICOPEDAGOGIA… formavam uma rede cada vez mais ampla de conhecimentos que eu não tinha. Então, eu não tinha!

Não ter, ou sentir a falta, me reconhecer não sabendo ou incompleta, ou melhor, ignorante… me fez desejar, e o desejo, ora o desejo sabemos, é o motor do aprender.

E foi correndo atrás do que eu não sabia, fazendo muitas perguntas, estudando, buscando o convívio de pessoas que poderiam me orientar, grupos de estudos, seminários, congressos, anos de investimento, que um dia eu disse na minha supervisão “estou começando a achar que eu sei o que estou fazendo”.

De lá para cá, observei mais uma coisa, embora eu muitas vezes pense que eu sei, muitas vezes eu acho que não sei, e talvez seja esta a função da psicopedagogia na minha vida.

 

2 – Em sua opinião, qual a função social da Psicopedagogia na clínica e na instituição?

Esta pergunta é muito difícil.

Começo pela função social na instituição, embora não me sinta muito à vontade no assunto, pois me falta experiência. E fazendo um recorte, restringir-me-ei à instituição escolar.

A psicopedagogia na instituição, busca atender as necessidades que surgem a respeito dos diversos aspectos que envolvem o processo de ensino e aprendizagem. Deposita sua rede de conhecimentos na tentativa de buscar apoiar, assessorar ou sinalizar aspectos que não estão sendo levados em conta ou que estão emperrando tal processo e seus agentes. Olha o todo e suas partes e também como a produção de conhecimento se dá, não se dá ou como circula os saberes no espaço escolar.

Mas entendo que a função mais nobre da psicopedagogia na instituição é propor que o humano da instituição vivencie participar de planejamentos e tomada de decisões, compreenda as diferenças, deseje interagir, deseje conhecer e se superar, que deseje fazer parte de uma sociedade maior, que acredite que vale a pena existir e com isso estreite a distância entre sua obra pessoal e a social.

Na clínica, terreno onde me movo com mais liberdade, a função social é aquela que mirando o que vê, acerta o que não vê. Ou seja, de nada adianta ajudarmos um sujeito a entender o valor posicional de um número ou a função de um adjetivo, se a reboque ele não compreenda a cultura ou que transformações este conhecimento possibilita tanto nele próprio quanto no mundo no qual se insere, pois a medida em que o sujeito avança em seus domínios, ele se distancia de nós e aprende a transcender o tempo e o espaço.