Pedagoga pela PUC/SP, com especialização em Logopedia  e fonoaudiologia pelo lnstituto de Ciencias del Hombre de Madrid e especialização em Psicanálise em Oncologia Pediátrica pela UNIFESP/SP, titular da ABPpiSP *Notório Saber. Atuação clínica desde 1990.

 

1 –  Comente por meio de um breve relato, como a Psicopedagogia passou a fazer parte de sua vida.

Não nasci professora, eu me fiz professora. Não nasci psicopedagoga, eu me fiz psicopedagoga. Mas neste singular, nos dois sentidos do termo, eu não me fiz só, eu não estive só. Foi uma obra composta. Explico.

Ao refletir sobre como a psicopedagogia passou a fazer parte da minha vida, eu escutei muitas vozes, mas a voz fundante, foi a daqueles alunos que não aprendiam como muitas vezes eu, sua família e até eles próprios esperavam e, portanto, muita gente sofria. Marcados muitas vezes como distraídos, imaturos, despreparados, pouco inteligentes, bagunceiros, desinteressados, preguiçosos… não rendiam e por que não rendiam, eu me perguntava? Por que não comem desse fruto que ofereço? Teria então eu que me render?

Foi provocada por eles que resolvi prestar mais atenção ao assunto da aprendizagem e foi junto com este movimento que eu ainda não sabia ao certo que obra resultaria, que descobri outras palavras. Descobri que afeto, curiosidade, convite, estratégias, construção, erro, pesquisas, diferenças, competências, autoestima, singularidade, psique, emoção, sujeito, PSICOPEDAGOGIA… formavam uma rede cada vez mais ampla de conhecimentos que eu não tinha. Então, eu não tinha!

Não ter, ou sentir a falta, me reconhecer não sabendo ou incompleta, ou melhor, ignorante… me fez desejar, e o desejo, ora o desejo sabemos, é o motor do aprender.

E foi correndo atrás do que eu não sabia, fazendo muitas perguntas, estudando, buscando o convívio de pessoas que poderiam me orientar, grupos de estudos, seminários, congressos, anos de investimento, que um dia eu disse na minha supervisão “estou começando a achar que eu sei o que estou fazendo”.

De lá para cá, observei mais uma coisa, embora eu muitas vezes pense que eu sei, muitas vezes eu acho que não sei, e talvez seja esta a função da psicopedagogia na minha vida.

 

2 – Em sua opinião, qual a função social da Psicopedagogia na clínica e na instituição?

Esta pergunta é muito difícil.

Começo pela função social na instituição, embora não me sinta muito à vontade no assunto, pois me falta experiência. E fazendo um recorte, restringir-me-ei à instituição escolar.

A psicopedagogia na instituição, busca atender as necessidades que surgem a respeito dos diversos aspectos que envolvem o processo de ensino e aprendizagem. Deposita sua rede de conhecimentos na tentativa de buscar apoiar, assessorar ou sinalizar aspectos que não estão sendo levados em conta ou que estão emperrando tal processo e seus agentes. Olha o todo e suas partes e também como a produção de conhecimento se dá, não se dá ou como circula os saberes no espaço escolar.

Mas entendo que a função mais nobre da psicopedagogia na instituição é propor que o humano da instituição vivencie participar de planejamentos e tomada de decisões, compreenda as diferenças, deseje interagir, deseje conhecer e se superar, que deseje fazer parte de uma sociedade maior, que acredite que vale a pena existir e com isso estreite a distância entre sua obra pessoal e a social.

Na clínica, terreno onde me movo com mais liberdade, a função social é aquela que mirando o que vê, acerta o que não vê. Ou seja, de nada adianta ajudarmos um sujeito a entender o valor posicional de um número ou a função de um adjetivo, se a reboque ele não compreenda a cultura ou que transformações este conhecimento possibilita tanto nele próprio quanto no mundo no qual se insere, pois a medida em que o sujeito avança em seus domínios, ele se distancia de nós e aprende a transcender o tempo e o espaço.